Abelha negra ibérica Apis mellifera iberica

Kategorie: Die Dunkle Biene Apis mellifera mellifera Veröffentlicht am Freitag, 28. Januar 2011 Drucken E-Mail

A Abelha negra ibérica

Apis mellifera ibérica

Criação e Selecção de Rainhas nas Ilhas Canárias - Um Horizonte para a Apicultura Nacional

Realizou-se no passado dia 20 de Fevereiro, no 9º andar do edifício  da CAP uma sessão de esclarecimento para técnicos, onde foram apresentados diversos temas, nomeadamente a selecção e criação de rainhas, os incêndios do Verão passado e as candidaturas ao Programa de Acções de Melhoria da Produção e Comercialização do Mel. Encontravam-se presentes técnicos e dirigentes associativos da maioria das associações de Norte a Sul do País e das Ilhas.

O primeiro tema, como já era de prever, foi o mais interessante, pois contou com a presença do famoso investigador francês Gilles Fert que tanto tem inovado em termos de Criação, Selecção e Inseminação Artificial de Rainhas. Este assunto suscitou imensa curiosidade nos presentes, na medida em que desde há muito que se sonha em Portugal num melhor conhecimento da nossa raça autóctone, a Apis mellifera ibérica, por definição a Abelha melhor adaptada às condições do nosso território.

Interessa também seleccionar as suas melhores características e necessariamente reproduzi-la e distribui-la pelo maior número possível de explorações apícolas. Com estas acções, conseguiríamos a médio - longo prazo remover a quase totalidade de “genes estranhos” do pool genético da Abelha Ibérica, apurando e mantendo a nossa Abelha rústica. Segundo relatou G. Fert, nos últimos anos o seu trabalho tem sido dirigir uma equipa de investigadores na Ilha de La Palma (Canárias – Espanha), local caracterizado por uma apicultura de amadores que praticam a actividade por mero passatempo. As ilhas deste arquipélago mais importantes na produção de mel são Gran Canária e Tenerife. A colmeia mais usada é o modelo Dadant, com produções que oscilam entre os 15 e os 25Kg por unidade.

Ao que parece, estes apicultores durante bastante tempo tiveram por hábito a importação de Rainhas das raças Ligústica e Carnica, cujas características em termos de produção e agressividade preferiam em detrimento da Abelha Negra das Canárias. No ano 2000, testes feitos ao DNA mitocondrial das abelhas autóctones revelaram uma contaminação próxima de 5% com genes da Apis mellifera ligústicaA. m. carnica. Foi  então tomada a decisão de eliminar estes genes do genoma da Abelha local, de forma a recuperar as suas características ancestrais. Mais tarde, e a partir dessa Abelha original, iniciar uma série de acções que visassem sobretudo a selecção das suas melhores características promovendo a selecção no sentido de obter uma Abelha mais dócil, mais produtiva, menos agressiva e menos propensa às doenças.

Foram tomadas diversas medidas legislativas, nomeadamente a proibição da importação de rainhas de raças exóticas para evitar as hibridações e a respectiva contaminação do genoma autóctone. Outra das acções levadas a cabo passou pela sensibilização dos apicultores para o problema e sobre a forma de o evitarem. Foi-lhes ainda ministrada formação sobre a criação e introdução de rainhas. Mais tarde, e com o acordo dos apicultores envolvidos, (e de certa forma sensibilizados) foram substituídas todas as rainhas exóticas e as suas descendentes híbridas por rainhas características da região. Cerca de 4 anos após o início dos trabalhos os testes ao DNA mitocondrial apontavam par um nível de contágio próximo dos 0%. Outro aspecto importante na luta contra os “genes invasores”  passava também pela captura de Enxames Selvagens para poderem ser tratados contra a Varroose e substituírem-lhe a rainha. Na impossibilidade de o fazerem, eram prontamente eliminados, caso contrário funcionariam como fontes de contágio genética e sanitária.

Em resumo, as fases do processo passavam por:

  • Eliminar a contaminação genética.
  • Seleccionar as Abelhas para serem dóceis e produtivas.
  • Manter a Ilha de Palma isenta de Varroose.
  • Formar os apicultores para a criação de rainhas.

Nos últimos anos têm sido criadas rainhas e zangãos para serem distribuídos pelos apicultores, esperando-se que no ano corrente este número atinja já as 600 unidades, conseguindo-se assim a médio prazo melhorar bastante o património genético das abelhas e aumentar a produtividade das explorações da Ilha de La Palma.

É uma perspectiva bastante interessante e até bastante ambiciosa para ser testada no nosso país, onde os problemas com a apicultura não são muito diferentes dos verificados na região onde G. Fert tem actuado.

  • Também temos muita contaminação de genes exóticos, não só pela importação de rainhas, mas também devido à nossa proximidade geográfica com o Norte de África e com a Europa, o que acaba por gerar misturas quer com a Apis mellifera intermissa Africana quer com a Abelha negra europeia, denotando-se um forte gradiente Norte –Sul.
  • Importa também a Selecção das nossas rainhas em termos de características interessantes em detrimento das indesejáveis como a agressividade, o mau comportamento higiénico e a grande tendência para a enxameação, fruto de práticas apícolas arcaicas e incorrectas
  • Precisamos também de sensibilizar os apicultores profissionais, amadores e técnicos apícolas para esta problemática.
  • A criação de Centros de Selecção e Criação de rainhas, tendo em vista a sua futura distribuição pelas explorações nacionais.
  • A selecção de estirpes mais resistentes a doenças ou pelo menos com melhores hábitos de higiene para controlarem as moléstias logo que surjam.

Como primeiro passo, fica o desafio a todos os apicultores para começarem a “conhecer melhor” e a “catalogar” as características das suas colónias em termos de agressividade; produtividade; enxameação, hábitos de higiene, e muitas outras pois poder-lhes-á ser solicitado material biológico como ovos, rainhas ou larvas para um projecto deste género e caso as características interessem.

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